Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Manoel de Oliveira : O Passado e o Presente

 

 

 

 

O Lugar dos Ricos e dos Pobres no Cinema e na Arquitectura em Portugal

 

O PASSADO E O PRESENTE
Realização de Manoel de Oliveira
com Maria de Saisset, Bárbara Vieira, Pedro Pinheiro, Manuela de Freitas, Alberto Inácio, António Machado, Duarte de Almeida, José Martinho
Portugal, 1971 - 115 min

  Adaptado de uma peça de Vicente Sanches, O PASSADO E O PRESENTE é um dos mais discutidos filmes de Oliveira e um dos seus trabalhos mais próximo do humor feroz de Luis Buñuel.

  Uma sátira social sobre uma mulher obcecada pelas memórias dos maridos defuntos e que não consegue amar os maridos vivos. A morte do segundo vem fazer reviver uma série de situações, juntando o macabro e o grotesco.

 

 

 

 

 

AFORISMOS

Na Cinemateca de Lisboa , pós-filme, numa conversa informal: as palavras do mestre cineasta...

 

"

Cá estou. Isto é simples.

A casa era dos pais do autor do livro.

 

Entre a Morte e a Vida instala-se o Amor. E não está mal.

 

 

Há muito aborto, há muita pílula.

Agora o que é que havemos de dizer mais ?

 

(...)

 

[ Manoel de Oliveira ]  Há aqui uma relação fortíssima entre o Cinema e a Arquitectura, não é ?

[ José Neves ] Sim, sim.

[ Manoel de Oliveira ]  Então porquê ?!

 

(...)

 

Hoje, os filmes não deixam margem para pensar.

 

A única glória que o Artista pode ter é morrer de Fome.

Se a Arte fosse verdadeiramente útil, o artista nunca morreria de fome.

 

Nascer para morrer logo é triste. Há sempre quem morra primeiro. Quem vá apressado. Por mim não é preciso pressa.

 

Não há Arte sem Memória.

A Ficção preserva a Memória, também.

A Ficção ensina o que a Escola não ensina: a Ficção ensina a Condição Humana.

 

Tudo passa pela razão. O Sentimento só o é, depois de passar pela Razão.

 

 

O que a gente diz não é nada de novo. Certamente alguém já o disse.

 

O subconsciente, a mim, nunca me disse o número da sorte.

 

A grande Poesia é estranha, porque joga joga com o subconsciente.

 

Saudade é a terra perdida de um coração que sonhou.

 

Mas não tem nada a ver.

 

Mas não é uma questão de calhau, a relação entre a Arquitectura e o Cinema.

 

 

  Desde sempre no Cinema, como no mundo - nos quartos, nas casas e nas cidades-, os ricos e os pobres tiveram os seus lugares, mais ou menos nítidos: da fábrica de onde saem os operários dos irmãos Lumière ao Xanadu do CITIZEN KANE; dos “lugares de miséria atrás de magníficos edifícios” dos olvidados de Buñuel à Paris dos burgueses discretamente encantadores; da vila dos pescadores de LA TERRA TREMA às villas das condessas, reis e príncipes de Visconti; dos albergues dos pobres de Preston Sturges aos hotéis de luxo de Lubitsch; dos borgate dos sub-proletários de Pasolini aos subúrbios das famílias remediadas de Ozu; das ruas da vergonha de Mizoguchi aos becos e ruelas do ANJO AZUL; da casa da mãe siciliana de Huillet e Straub à Versalhes do Rei Sol de Rossellini; das roulottes dos lusty men de Nicholas Ray à FAT CITY de John Huston; do quarto alugado da rapariga da mala de Zurlini ao palácio dos seus amantes; dos lugares dos criados e dos senhores de Jean Renoir a todos os lugares de Chaplin…

 

  Qual tem sido, em Portugal, o lugar dos ricos e dos pobres no Cinema? Qual vai sendo o lugar dos ricos e dos pobres na Arquitectura? Como é que o Cinema pensa e olha essa Arquitectura? Pode a Arquitectura pensar e construir-se também a partir desse Cinema?   

 

Enquadramento

 

  Foram estas questões que levaram o Núcleo de Cinema da Faculdade de Arquitectura da UTL - coordenado pelo Arquitecto José Neves - a propôr à Cinemateca Portuguesa a realização de um Ciclo de doze filmes, exibidos quinzenalmente entre Outubro de 2007 e Março de 2008.
  Escolhidos pelo Núcleo, passaram filmes feitos em Portugal nos últimos cinquenta anos e que reflectissem de forma sempre preponderante o tema principal. As sessões contaram com a presença de realizadores, actores, pessoas envoIvidas nos filmes e de arquitectos convidados, para que se discutissem as abordagens e questões pertinentes, de um modo o mais informal possível. 

  O Ciclo findou com a referida produção e presença do cineasta Manoel de Oliveira.

 

    

 

Fonte citada parcialmente, em itálico:http://programadefestas.wordpress.com/2008/02/17/o-lugar-dos-ricos-e-dos-pobres-no-cinema-e-na-arquitectura-em-portugal/

 

 

 

 

"

 

 

[ 14.03.08 ]

 

 

 

Sinopse 


Publicado por Alguém às 04:40
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