Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

Formas de Literatura

  “ Toda a arte é uma forma de literatura, porque toda a arte é dizer qualquer coisa. Há duas formas de dizer – falar e estar calado. As artes que não são a literatura são as projecções de um silêncio expressivo

 

(…)

 

  O caso parece menos simples para as artes visuais, mas, se nos prepararmos com a consideração de que linhas, planos, volumes, cores, justaposições e contraposições são fenómenos verbais dados sem palavras ou antes por hieróglifos espirituais, compreenderemos como compreender as artes visuais e, ainda que as não cheguemos a compreender ainda, teremos, ao menos, já em nosso poder o livro que contém a cifra e a alma que pode conter a decifração. Tanto basta até chegar o resto.”

 

 

Álvaro de Campos IN Presença, n.º 48, Coimbra, Julho de 1936 


Publicado por Alguém às 03:30
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Série Ricardo Reis

 

                                            RICARDO REIS

                                                O Estóico

                                               O Epicurista

                                               O Clássico

 

 

 Após as exposições das Séries Álvaro de Campos(http://arquitextura.blogs.sapo.pt/19412.html) e Alberto Caeiro - inseridas no Ciclo dos Heterónimos -, desta feita está exposta no Auditório da Casa Fernando Pessoa a Série de Pintura Ricardo Reis, desde o dia 29 de Janeiro. 

 

 Na sequência das antecedentes, a actual Série de Pintura baseia-se igualmente em excertos seleccionados de poemas de mais um heterónimo pessoano, os quais constituem o ponto de partida para ilustrações de pequeno formato, feitas com recurso a aguarela e grafite sobre papel.

 Encerra-se, assim, a Tríade de Séries baseadas em três dos principais heterenónimos de Fernando Pessoa, realizadas segundo os mesmos princípios operativos.

 

 

 

Campo de Ourique - Rua Coelho da Rocha n.º 16 

Horário: Segunda a Sábado das 10:00h às 18:00h

Transportes : Autocarro: 9, 20, 38 | Eléctrico: 25, 28

 

 

http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/377676.html

http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt

 


Publicado por Alguém às 02:54
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Khayyam | Buíça

 

 

(...)

A vida é terra e o vivê-lo é lodo.

Tudo é maneira, diferença ou modo.

Em tudo quanto faças sê só tu,

Em tudo quanto faças sê tu todo.

 

12-9-1935

 

 

[50B1-51r]

Tudo é como se nada se passasse.

Tudo fica como se nada ficasse.

Tudo é o que não é, e a sombra desce.

Sobre o que é e não é e ou morre ou nasce.      

                   

 

 

[ Setembro de 1935 ]

 

 

[63-43r]

Ouvi os sábios todos discutir.

Podia a todos refutar a rir.

Mas preferi, bebendo na ampla sombra,

Indefinidamente só ouvir.

 

Manda quem manda porque manda, nem

Importa que mal mande ou mande bem.

Todos são grandes quando a hora é sua.

Por baixo cada um é o mesmo alguém .

 

Não invejes a pompa, e ao poder,

Visto que pode, sem razão nem ser

Obedece, que a vida dura pouco

Nem há por isso muito que sofrer. 

 

3-10-1935  a.m.

 

 

[45 - 29r]

 

Reinam o bobo e o vil, e o quem calha

A sorte de reinar; que o acordo falha,

Mas a justa verdade há-de chegar -

Quando for tarde e já nada valha

 

s.d.

(...)

 

 

Fonte: GALHOZ, Maria Aliete, Canções de beber : Ruba'iyat na Obra de Fernando Pessoa. Lisboa: Assírio e Alvim, Lisboa, 2002 

Imagem: original de http://www.hottopos.com/mirandum/fernkhay.htm; tratamento digital em Photoshop : inversão de cores

 

 


Publicado por Alguém às 04:25
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Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Paredes | Pessoa

Composição em Windows MovieMaker de  produção própria, baseada num excerto de Heróstrato - E a busca da Imortalidade, de Fernando Pessoa, e Movimento Perpétuo, de Carlos Paredes.

 

 

 

 


Publicado por Alguém às 22:23
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Exposição "Série Álvaro de Campos"

 

 

 

  Após o surgimento da intenção de organizar o portfólio de Pinturas elaborar o Currículo, a tentativa ocorreu na Casa Fernando Pessoa, já que várias séries temáticas são baseadas em literatura da Geração Moderna - sobretudo em obras de Fernando Pessoa.
 
   Desta feita, desde o dia 1 de Setembro de 2008 até 15 de Maio deste ano está patente no Auditório da Casa Fernando Pessoa a exposição de Pintura  Série Álvaro de Campos, inserida no Ciclo dedicado aos heterónimos, que decorre desde o final do ano passado até ao término do actual. Após esta colecção, seguir-se-ão as Séries Alberto Caeiro e Ricardo Reis, baseadas no mesmo princípio operativo.  
 
  Baseada na poesia do heterónimo Pessoano, a Série Álvaro de Campos caracteriza-se pelo pequeno formato - 13 por 23cm e pontualmente 15 por 23cm - e pela utilização de Aguarela, de Grafite e de Tinta da China sobre papel. Constituída por 8 obras, resulta da selecção e interpretação de excertos de poemas.
 
http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/274968.html 
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt
 
 
 
Transportes : Autocarros: 9, 20, 38 | Eléctricos: 25, 28
Horário: Segunda a Sábado 10:00h > às 18:00h

 

 


Publicado por Alguém às 19:08
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

Fronteira Campos-Pessoa

(...)

"Pessoa, por carácter, nunca poderia ter sido Álvaro de Campos na vida real, salvo em alguns encontros com Ofélia Queiroz e talvez no dia, do ano de 1930, em que conheceu João Gaspar Simões e José Régio num café da Baixa.

(...)

Campos serviu-lhe para gozar, em segunda mão, algumas aventuras e também para provar que Pessoa tinha feito bem em não gastar as suas energias, visto que teria chegado ao mesmo porto a que Campos chegou: Lisboa e uma incurável melancolia."

 

IN Post-Mortem de Barão de Teive - A Educação do Estóico; Richard Zenith - Editora Assírio & Alvim


Publicado por Alguém às 03:13
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Terça-feira, 17 de Abril de 2007

Indefinição

 Se sou alegre ou sou triste ?...

Francamente, não o sei.

A tristeza em que consiste?

Da alegria o que farei ?

Não sou alegre nem triste.

Verdade, não sei que sou.

Sou qualquer alma que existe

E sente o que Deus fadou.

Afinal, alegre ou triste ?

Pensar nunca tem um bom fim...

Minha tristeza consiste

Em não saber bem de mim...

Mas a alegria é assim...

20.08.1930

 

IN Quadras e Outros Cantares - Fernando Pessoa; Editora Relógio d'Água.

Imagem base: www.ufp.pt


Publicado por Alguém às 23:58
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Linha Recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada,

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

(...)

Arre, estou farto de semi-deuses!

Onde é que há gente no mundo ?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra ?

(...)

 

Álvaro de Campos IN Poema em Linha Recta


Publicado por Alguém às 21:57
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Hesitação de agir...

" O escrúpulo é a morte da acção. Pensar na sensibilidade alheia é estar certo de não agir. Não há acção, por mais pequena que seja -  e quanto mais importante, mais isso é certo - que não fira outra alma, que não magoe alguém, que não contenha elementos de que, se tivermos coração, não nos tenhamos de arrepender (...) "

Barão de Teive IN A Educação do Estóico


Publicado por Alguém às 13:38
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Domingo, 24 de Dezembro de 2006

Barão de Teive

Nisto o suicida foi antecipadamente injusto. As referências dos jornais prestam-lhe inteira homenagem. Assim, o correspondente local do "Diário de Notícias" transmite nestes termos ao seu jornal anotícia da morte: «Suicidou-se ontem na sua casa de Macieira o Sr. Álvaro Coelho de Athayde, 20º Barão de Teive, de uma família das mais distintas deste concelho. O triste fim do Sr. Barão de Teive causou grande consternação, pois o finado era aqui muito estimado pelas suas belas qualidades de carácter.»

Quinta da Macieira

12 de Julho de 1920

(...) "Por isso [Pessoa] inventou o barão, depositou nele a sua orgulhosa razão, e matou-o com um sorriso que nada tinha de inocente."

Fonte: Barão de Teive - A educação do Estóico; Editora Assírio & Alvim

 


Publicado por Alguém às 16:46
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